Jardim só com vasos, por Monad Clemente

Os primeiros vasos eram usados somente para guardar água e alimentos, depois passaram a ser utilizados em rituais religiosos, servindo de urnas funerárias. Mas neles continham desenhos e inscrições, servindo também para decorar. Na história não se sabe quando eles começaram a ser usados para cultivar plantas, mas pode ter sido por acaso, quando uma semente brotou no vaso com terra e poeira acumulada, segundo o paisagista José Nunes Alves.

Na China antiga, religiosos os nômades, amantes das árvores, começaram a cultivar elas em recipientes para não ter que abandonar a cada partida. O vaso teria função de transporte, supõe o Bonsaista Eduardo Misuno. Algumas fontes, dizem que os primeiros vasos de flores surgiram com Ramsés  III (1198-1166 a.C.) do Antigo Egito.

Hoje, com moradias primando mais segurança e comodidade, muitas famílias optam por viver em apartamentos. Incluímos também lugares comerciais que não possuem um espaço de terra para o plantio de um belo jardim. Então como resolver a inserção de plantas nestes locais?

Pois bem, o paisagismo feito apenas com vasos é capaz de transformar o panorama, compondo um jardim de verdade, utilizando-se da técnica da composição de vasos para criar uma paisagem harmônica e cheia de vida.

O segredo é dispor as espécies tão bem que elas pareçam estar plantadas na natureza. É uma dica fácil de seguir, que cabe em qualquer espaço e até mesmo nos menores orçamentos.

Porém, uma composição harmoniosa não surge do acaso. É preciso saber como escolher os diferentes tipos de recipientes e identificar as funções paisagísticas mais indicadas para o espaço a ser projetado.

O primeiro passo a seguir é adequar o espaço ao estilo de jardim que você quer ter. Observe se é amplo ou estreito para determinar a quantidade e o tamanho dos vasos. Em seguida, observe as condições naturais do ambiente, como a luminosidade, que irão determinar a escolha das plantas. Na hora de compor o jardim, leve em consideração três fatores: cor, volume e textura das plantas. Busque contrastes, degradês e equilíbrios.

Outra regra a ser seguida é: os vasos mais altos atrás, geralmente com as plantas de maior porte ou volume, observando se elas não vão sombrear plantas de sol pleno.

Se o objetivo for uma paisagem em que o verde cobre tudo, inclusive os vasos, use plantas pendentes. Além de esconder os vasos, elas ajudam a manter a umidade do substrato e criar um conjunto mais harmônico. Se os vasos estiverem distribuídos pelo jardim de forma espaçada, poderá destacar a luz com modelos diferentes para marcar estilo, mais é muito importante a escolha do estilo paisagístico que será adotado.

O mais interessante do uso dos vasos é que, se uma planta não vai bem em um local, o vaso permite trocar de posição sem mudanças drásticas. Mas, se ela já está adaptada, a troca pode afetar seu desenvolvimento, alerta a paisagista Martha Guedes.

Para quem gosta de mudar sempre a posição dos potes, mais indicado utilizar plantas anuais, que dar um colorido diferente a cada estação, sendo trocadas no final da floração.

As plantas levam mais tempo para se adaptar em vasos do que em canteiros. O segredo para mantê-la sempre vistosas é não se esquecer de três pontos fundamentais: regas, adubação e substrato.

Para manter a umidade da terra entre as regas, podemos usar gel hidratado, próprio para plantas, misturado no substrato ou vermiculita. Depois cubra toda superfície com casca de pinus ou uma forração sobre a terra. Também é importante lembrar dos períodos de adubação. A primavera é o momento em que as plantas exigem mais nutrientes, pois “ acordaram do inverno com fome “.

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